Apps reduzem a demanda por estacionamentos

Somente na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), que possui 39 cidades, moram 20 milhões de pessoas. Como em qualquer lugar do mundo, elas estão em constante movimento: realizam por dia 43 milhões de deslocamentos.

Com números tão expressivos, para que não haja um colapso na movimentação diária, opções de transporte são imprescindíveis. Imagine se todo mundo usasse seu próprio veículo. Não haveria malha viária que suportasse.

A boa notícia é que, nos últimos anos, com a ascensão de aplicativos de transporte como a 99, o carro deixou de ser um bem apenas individual. Ou passou a ser utilizado de forma mais inteligente. Para que usar o próprio carro sempre ou para que ter um carro se posso chamá-lo com facilidade por meio do smartphone? Essa pergunta passou a ser feita com frequência. Muita gente colocou na ponta do lápis os gastos com carro próprio para concluir que não vale a pena tê-lo. Afinal de contas, falamos sobre IPVA, licenciamento, manutenção e gasolina para ficar apenas em alguns custos.

De acordo com estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o aplicativo 99, 85% das viagens contratadas pelo app na Região Metropolitana de São Paulo    são compostas por deslocamentos que antes eram feitos por modais privados, especialmente carros próprios.

O ganho de acessibilidade, independentemente do trajeto, é um atrativo para quem opta pelos aplicativos de transporte. Ainda segundo a pesquisa, quem utiliza a 99 tem acesso a 2 mil empregos a mais do que quem não usa. Isso ocorre por causa da facilidade de deslocamento, que, dependendo da região, costuma ser maior do que aquela do transporte público ou do automóvel próprio. Nesses tempos de desemprego alto, essa vantagem não pode ser desprezada.

E tem mais: com os automóveis em movimento, já que são usados para deixar as pessoas nos lugares que desejam, e não para ficar com elas nesses locais, o app 99 reduziu a demanda por vagas de estacionamento nos municípios que compõem a RMSP. Cerca de 250 mil vagas poupadas.

Para chegar a essas informações, a pesquisa levou em conta o cenário atual, ou seja, o número de viagens feitas atualmente pela 99.

Em todo o Brasil, nas 400 cidades em que oferece o serviço, o aplicativo conecta todos os dias 500 mil motoristas a mais de 14 milhões de passageiros. Em um cenário de compartilhamento massivo de viagens, o que pode ocorrer no futuro, o estudo estima que possa haver queda de até 23,22% no tempo de deslocamento na RMSP.

Soluções para o trânsito em parceria com o Governo

Os aplicativos de mobilidade podem, ainda, auxiliar os planejadores urbanos a tornar as cidades mais eficientes e humanas.

A 99 já realiza parcerias com o poder público no sentido de usar dados como subsídio às tomadas de decisões em diferentes capitais do país. Em Porto Alegre, por exemplo, a empresa respondeu a um chamamento público da prefeitura para um projeto de monitoramento do trânsito no município. Os dados — anônimos e agregados — levantados a partir das viagens no aplicativo ajudam a construir o mapa de fluidez do tráfego. A plataforma registra informações como a velocidade média das ruas e o fluxo de deslocamentos. A ferramenta pode ser usada para calibrar os semáforos ou identificar gargalos de tráfego.

85% das viagens contratadas pelo aplicativo na Região Metropolitana de São Paulo são compostas por deslocamentos que antes eram feitos por modais privados, especialmente carros próprios

Já em São Paulo, por meio de uma parceria com a Vital Strategies e Iniciativa Bloomberg para   Segurança Global no Trânsito, os padrões de deslocamento durante as madrugadas dos fins de semana puderam ser usados pela cidade para aperfeiçoar a segurança viária. Ao ter mais informações, a prefeitura é capaz prever zonas de risco e maximizar a eficiência no posicionamento de operações de educação e fiscalização.

A atuação preventiva faz a diferença para a diminuição do número de vítimas de acidentes automobilísticos. O Brasil está entre os países recordistas em mortes no trânsito, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). As vítimas mais comuns estão na faixa etária de 15 a 29 anos.

Exemplo chinês

Quem faz muito bem esse trabalho de parceria com o poder público é a empresa chinesa Didi Chuxing, que adquiriu a brasileira 99 em janeiro. A companhia é uma gigante global e apenas na China possui 450 milhões de usuários e detém mais de 85% do mercado de corridas privadas. Assim como ocorre com a 99 aqui no Brasil, os deslocamentos realizados pelos   motoristas do app chinês geram dados, como itinerários de ônibus, de carros comerciais e de particulares, que são relevantes para a organização do trânsito a fim de reduzir o tráfego.

No ano passado, o Didi Chuxing ajudou os municípios chineses a determinar o local da   instalação de 1.200 semáforos inteligentes. Em janeiro deste ano, o app lançou uma plataforma chamada Cérebro de Transporte Inteligente, com dados de trânsito referentes a 20 cidades diferentes. A parceria com o município de Jinan ajudou a diminuir o congestionamento local em cerca de 20%.

Em 2010, Pequim registrou congestionamento de 12 dias. O engarrafamento é considerado   um dos maiores da história. Para que isso nunca mais se repetisse, o app deu sua contribuição. Em parceria com a prefeitura da capital chinesa, redesenhou o trânsito por meio da mudança dos sentidos de ruas, de itinerários de ônibus e da escolha de novas posições para os semáforos. O resultado é uma melhora considerável, com ganho de qualidade de vida para a população. 

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